domingo, 15 de março de 2009

Elas Mandam demais...

Calma Garotas, não é um post machista sobre quem manda e quem obedece, muito pelo contrário, é para chamar a atenção do mundo para a Potencialidade Feminia na Body Art!


Tatuagem acima de tudo é arte, o tempo passa os preconceitos diminuem e as personalidades fluem da imaginação de pessoas alternativas que além de admirar a arte corporal, admiram também seus corpos em evidência. Isso é possível com tatuagens, a história das tatuagens é milenar, há mais de 3500 anos, a tatuagem já existia como forma de expressão da personalidade ou de indivíduos de uma mesma comunidade tribal (união de pessoas com as mesmas características sociais e religiosas). Os primitivos se tatuavam para marcar os fatos da vida social: virar guerreiro, sacerdote ou rei; casar-se, celebrar a vida, identificar os prisioneiros, pedir proteção, garantir a vida do espírito durante e depois do corpo.
Essa arte chega até nosso tempo como também uma forma de expressão, quebrando as barreiras das sociedades mais conservadoras e se tornando moda para todos os gostos e estilos. Tatuagem feminina então chega a ser fetiche e sensualidade tanto para meninos como para meninas, um desfile de cores e imagens em lindas mulheres que decidiram fazer de seus corpos uma tela viva da arte corporal. Hoje a tatuagem é reconhecida como arte e os velhos chavões, como "coisa de marginal", estão cada vez mais ultrapassados. Mas você sabia que a cada dia surgem mais e mais mulheres tatuadoras no ramo? Sim, se você for a um estúdio de tattoo e vier uma menina toda delicada lhe atender, não se espante. Há uma nova e farta geração de mulheres tatuadoras por aí. São garotas que batem de frente, tanto com o machismo existente no meio profissional, quanto ao ouvir um "não" de um cliente inseguro. As mulheres vieram para ficar. A mexicana radicada nos EUA Kat Von D, dos seriados Miami Ink e LA Ink , é o exemplo mais famoso dessas profissionais.
E no Brasil já temos o nosso time classe A. O mtv.com.br procurou quatro tatuadoras dessa nova safra e provou que a profissão está longe de ser restrita apenas para homens. Veja!

Nome: Camila Rocha
Idade: Mais de 25...
Profissão: Tatuadora
Desde: 2000
Especialidade: Oriental
Estudio: Tattoo You
Começo?
Quando comecei, era difícil fazer algo como a tatuagem. Cheguei a desenhar para livros infantis, camisetas e tal. Mas quando fiz minha primeira tattoo, rolou o primeiro contato. Depois, um body piercer me pediu uns desenhos e eu pedi para ele me ensinar sobre a arte da tatuagem. Foi ali que começou.
Família Evangélica?
Meu pai e meu avô são pastores. Minha família inteira é evangélica, foi uma coisa chocante pra eles. Mas conversamos muito sobre isso. No fim, meu pai me apoiou muito.
Primeira Tattoo?
Foi aos 18 anos. Um sol horrível nas costas, mas, por enquanto não vou cobrir. (risos)
Dedicação Oriental?
Comecei a me interessar pela pintura japonesa desde muito nova. Quando comecei a tatuar, juntei as duas paixões. Hoje, pesquiso muito e ainda faço aulas de pintura japonesa. No Japão, a tatuagem tem mais de 400 anos de tradição.
Ponto Alto?
Em 2005, viajei para a Inglaterra, onde fiquei por um ano. Trabalhei com o Lal Hardy, uma lenda da tatuagem.
Preconceito?
Ouvi pessoas dizendo que queriam tatuar com um homem. Mas tem mais preconceito dentro do mundo da tattoo, do que por parte dos clientes. A gente trabalha muito e faz de tudo para fazer o melhor. O preconceito está melhorando aos poucos.
Tatuagem?
Pra mim, a tatuagem vai além do sentido estético. Respiro isso 24 horas por dia. Eu vejo o corpo como uma tela ambulante e a tatuagem como uma pintura.

Nome: Akemi Araújo Higashi
Idade: Mais de 25...
Profissão: Tatuadora
Desde: 2001 Especialidade:
Old School
Estúdio: Led´s Tattoo
Começo?
No colegial eu queria fazer moda, mas comecei a me interessar muito por tatuagem. Quando eu tinha 15 anos, vi uma menina tatuada pelo Leds (proprietário da Led´s Tattoo). Achei linda e isso me motivou de vez.
Família?
Escondi minhas primeiras tattoos por oito anos. Minha família estranhava porque eu andava sempre de calça e camisetão, não ia pra praia. Achavam que eu era complexada! (risos)
Preconceito?
Tem gente que não tem segurança em fazer uma tattoo com uma mulher. Aos mesmo tempo, hoje tem cliente que procura uma tatuadora. Cada um procura o que quer. O nível das tatuadoras está melhorando a cada dia.
Filhos?
Passo o dia inteiro no estúdio trabalhando, até brinco dizendo que fico mais com as tatuagens do que com minha família. Tenho dois filhos, se um dia eles quiserem tatuar, vou dar a maior força.
Tatuagem?
Por causa da tatuagem, saí do interior e sou reconhecida numa cidade enorme como São Paulo. Isso é um reconhecimento bem legal.
Aprendizes?
Tem um monte de meninas que estão começando a tatuar, se inspiram em mim, gostam do meu trabalho. Elas me procuram, até mesmo por e-mail, para que eu ensine alguma coisa. Eu ajudo na medida do possível, porque eu precisei de ajuda no começo.
Conselho?
Comecem aprendendo a desenhar, isso é fundamental. Mas o desenho não é tudo. Tatuar é um lance complicado, porque tem que ter uma boa noção estética, composição no corpo. Tem bons desenhistas que não são bons tatuadores. Não pegam a técnica.

Nome: Melissa Cury Macedo

Idade: Mais de 30...
Profissão: Tatuadora
Desde: 2003 Especialidade: Old School e New School
Estúdio: Tattoo You
Começo?
Desenho desde pequena. Depois, meus amigos me pediam desenhos e iam aos tatuadores para fazer. Eles sempre me aconselhavam a virar tatuadora. Mas o meu avô me disse que era coisa de marginal. Abri uma loja de pintura em tecido e fiquei desencanada por 7 anos. Daí fui fazer uma tatuagem na Tatto You e vi que era a profissão que eu realmente queria seguir.
Primeira Tattoo?
Fiz uns ramos no pé, com o Leds, há mais de 14 anos. Já o início da profissão, foi aqui mesmo no estúdio. Tatuei um cliente que estava aprendendo a colocar piercing e que ganhou à primeira tattoo.
Família?
Meu marido gosta, tem tatuagem. É bom que dá pra tatuar ele, usá-lo de cobaia... (risos) O ruim da profissão é o tempo, não temos um horário certo. A família sente isso.
Preconceito?
Melhorou muito em relação às pessoas tatuadas. Quando saio, ainda sinto alguns olhares, principalmente de pessoas mais de idade. Mas acho que é porque no tempo deles tinha muito preconceito. Hoje, a tatuagem é muito mais artística.
Conselho?
A gente tem sempre que aprender mais. Pesquisar, observar o trabalho dos outros, aprender com os tatuadores mais experientes.
Tatuadoras?
Elas têm que batalhar muito por isso. No começo, tem muitos momentos que dá vontade de desistir. É difícil, muita gente não apóia, as mulheres são minoria. Para ser aceita nesse meio, tem que fazer um trabalho muito bom.

Nome: Carla Rissatto
Idade: Mais de 25...
Profissão: Esteticista e Tatuadora
Desde: 2001
Especialidade: Desenhos Femininos e Maquilagem Definitiva
Estúdio: Polaco Tattoo Shop
Começo?
Faz mais de 10 anos que estou envolvida com tatuagem, mas foi há 8 anos que resolvi me aprofundar na arte de tatuar. Vim no Polaco para fazer a minha primeira tattoo, fui tomar um café com ele e me apaixonei. Nos casamos, temos um filho, e hoje isso é a minha vida.
Tatuagem?
Uma arte e a minha profissão. Só quem tem uma sabe o que é.
Preconceito?
Diminuiu muito, mas também popularizou demais. Hoje, todo mundo é tatuador, quer ter tatuagem. Eu faço por amor, não por dinheiro.
Kat Von D?
É uma tatuadora muito conceituada. Já conhecia o trabalho da Kat antes do seriado Miami Ink e LA Ink. Ela tem um estilo próprio, o que é muito legal. A gente logo identifica o traço dela. A mídia mostrando uma ótima profissional tatuando, com certeza vai ajudar no combate ao preconceito.
Lado Feminino?
Uma mulher tem atenção, delicadeza, leveza, é o lado feminino de ser. Mas isso não quer dizer que é diferente de um tatuador. O que vale é um bom trabalho.
Fonte: MTV (Bruno Ondei e Daniel Vaughan)

PROFISSÃO: TATUADORA
Por Luara Calvi Anic

Akemi Higashi tem o seu próprio estúdio na cidade de Sertãozinho, no interior de São Paulo, e também trabalha no Nave Tattoo, na Galeria Ouro fino, capital paulista. Ela fez sua primeira tatuagem, um desenho tribal nas costas, aos quinze anos de idade. Gostou tanto que um mês depois fez mais duas e não parou mais. Até que decidiu transformar arte em profissão. Sua delicadeza inspira confiança e faz com que, principalmente as meninas, só queiram ser tatuadas por ela. Akemi nos conta como é o seu dia-a-dia:

Mary Jane
- Como você começou a tatuar?


Akemi
- Comecei implantando piercings, há mais ou menos nove anos, em um estúdio de um amigo. Eu sempre quis tatuar. Comecei quando eu estava grávida do meu segundo filho, aos 23 anos. Comprei o kit no começo da gravidez.


MJ
- Já sofreu algum preconceito por ser uma mulher tatuadora? Afinal, você é a única de sua cidade...


Akemi
- Já sofri preconceito na minha cidade, sim! Inclusive na escola dos meus filhos. Mas eu ignoro, não dou a mínima para o que as pessoas acham ou deixam de achar.


MJ
- Com quantos anos fez sua primeira tatuagem e o que seus pais disseram?


Akemi
- Eu fiz minha primeira tattoo com quinze anos, escondido da minha família. Escondi durante anos, eles são bem tradicionais e não aceitavam. Sempre lutei pela minha independência. Hoje tenho os braços, as costas e as pernas tatuadas. O próximo projeto para o meu corpo é tatuar minha outra mão, o peito e o pescoço.


MJ
- Você já pensou em estudar arte?


Akemi
- Há mais de um ano eu estou com a idéia de estudar arte. Tattoo é arte, portanto, uma coisa complementa a outra: arte e técnica.


MJ
- Você tatua mais meninos ou meninas?


Akemi
- Tatuo muitos meninos, mas a grande maioria dos trabalhos que faço é em meninas. Elas sentem um pouco mais de segurança porque eu sou mulher.


MJ
- Você já participou de alguma convenção de tatuagem?


Akemi
- Sim, já tive trabalhos entre os cinco primeiros colocados na categoria new school, que é uma categoria bem disputada na convenção internacional de outubro, organizada pelo estúdio Led´s, de São Paulo. É difícil, pois são pouquíssimas mulheres concorrendo com muitos tatuadores experientes. Espero um dia chegar a ter meu trabalho reconhecido.


MJ
- Financeiramente, compensa ser tatuadora? Os tatuadores mais experientes ganham mais do que os novatos?


Akemi
- Financeiramente, depende de como você desenvolve o seu trabalho. Acho que tudo que é feito com amor e dedicação dá frutos. Conheço tatuadores que mal conseguem manter seu estúdio em virtude de um trabalho ruim, com falta de higiene, de técnica, de vontade de aprimorar seu trabalho. No meu caso, tenho visto minha clientela aumentar cada vez mais, inclusive fora da minha cidade, então acho que isso é fruto de um trabalho bem feito.


MJ
- Você pretende continuar tatuando, quais são os seus projetos?


Akemi
- Eu me considero uma tatuadora nova pelo tempo que tatuo, ainda estou evoluindo. Procuro estudar muito desenho e conhecer os trabalhos de pessoas diferentes por meio de livros e de tatuadores mais velhos.


MJ
- O que você diria para as meninas que gostariam de ser tatuadoras?


Akemi - Eu acho interessante trabalhar em estúdio para aprender, mas em primeiro lugar você tem que gostar do que faz, não adianta pensar pelo lado comercial ou porque é legal. Tem que realmente gostar, senão não dá certo. Eu conheço várias tatuadoras novas no mercado, tem umas cinco mulheres se sobressaindo atualmente.

Vídeo da MTV com Akemi e Camila




2 comentários:

Brutal_artisT disse...

mandou beeeeem! o Brasil tem um timão de tatuadoras, dá até orgulho!!!

GVLinares disse...

muito boa a matéria, man!! a Akemi eu já conhecia já, ficou devendo só uma foto das tatoos dela (tem uma foto, se pá a mais famosa da internet, dela deitada numa cama, com o braço levantado mostrando a tatoo das costas, mto foda!)